Finalmente tenho um blog! He, he, 14 anos trabalhando com informática e internet e não tinha ainda uma página na rede.
O que me motivou a escrever foi uma mundança radical no modo de usar meu computador. Estou abolindo, na medida do possível, o uso de software proprietário e utilizando programas livres, de código aberto. Ok, sei que não é possível trabalhar somente com software open source. O Richard Stallman que me perdoe, mas não podemos enxergar o sistema operacional como uma religião, na qual aqueles que utilizem qualquer programa proprietário são os hereges pecadores traidores da causa e merecem queimar no inferno dos bits.
Um exemplo: a minha placa de vídeo é uma GeForce FX 5200. Até existe um driver open source para Linux/Unix, mas não consegue trabalhar com todos os recursos gráficos oferecidos pela placa. Então, tenho a opção de instalar o driver proprietário da NVIDIA, que funciona perfeitamente, habilitando todos os efeitos 3D. Por que não usar o driver proprietário, que é fornecido de graça pelo fabricante? Para deixar de usar os recursos do meu hardware e ser fiel à religião GNU/Linux? No site Geek’s Podcast tem uma discussão sobre esse tema. A empresa fabricante da placa de vídeo tem seus segredos industriais, que não podem ser revelados com a disponibilização do código fonte dos drivers. Não estou defendendo o software proprietário. Bom seria se todo software fosse de código aberto, para a comunidade poder melhorar, corrigir bugs, e todos se beneficiarem disso. Mas vivemos num mundo capitalista, as empresas de hardware precisam de lucro para continuarem produzindo, e precisam, de certa forma, evitar que seus produtos sejam copiados pelo concorrente.
Bom, voltando ao tema deste post, comecei pelo sistema operacional, instalei o Ubuntu 7.10. Eu já tinha testado superficialmente algumas distribuições Linux, também já tinha trabalhado um pouco com FreeBSD em servidores, e também testado um pouco como desktop, mas nunca tinha amadurecido a idéia de abandonar o Windows.
A utilização do Ubuntu vem crescendo muito como desktop. Isso se deve à facilidade de instação e uso do sistema. Uma comparação: a placa mãe do meu computador tem som onboard. Nas vezes que instalei o Windows XP tive que pegar o CD da placa para instalar manualmente o driver de audio. Com o Ubuntu não, ele reconheceu TODO o meu hardware, até o monitor, um Samsung SyncMaster 793DF (o Windows apenas diz: Monitor Padrão, hehe). O Ubuntu vem bem completo de fábrica, com programas para assistir videos e ouvir música, programas de escritório (processador de texto, planilha, gerador de apresentações e banco de dados), programa para desenho e tratamento de imagens (o ótimo Gimp), acessórios (calculadora, editor simples de texto), brower (FireFox) e programas para administração do sistema. Mais uma comparação: após a instalação do Windows você se depara com um sistema “peladão”, ou seja, para poder usar o computador de verdade, produtivamente, vai ter que instalar muita coisa a mais.
Uma observação deve ser feita quanto à instalação do Ubuntu. Você não vai conseguir ouvir MP3 e assistir qualquer tipo de vídeo logo de cara. Os codecs de audio e vídeo mais usados atualmente são proprietários. São fornecidos de graça, mas não têm o código fonte aberto. Por este motivo, o Ubuntu não vem com estes codecs, pois obedece à filosofia GNU/Linux. Mas dá todo o suporte para você instalar o que precisar para usar multimídia no seu computador. Isso leva ao assunto da facilidade de instalação de programas no Ubuntu.
A instalação de programas é uma tarefa muito simples. Você apenas vai no menu Applications - Add/Remove, seleciona o(s) software(s) que deseja e aperta o botão Apply Changes. Pronto, o Ubuntu baixa os pacotes, descompacta, baixa as dependências, instala, adiciona os atalhos no menu, tudo sozinho, você não precisa fazer mais nada. Isso é uma maravilha. No Windows você tem que ter o instalador em mãos, ou achar o site do programa, escolher a pasta onde o arquivo será salvo, baixar, executar manualmente o instalador, next, next, next, finish, he he. Agora ninguém mais tem razão quando disser que o Linux é muito difícil e só pode ser usado por nerds.
Claro que algumas poucas configurações precisam ser feitas diretamente nos arquivos do sistema. Por exemplo, o Ubuntu insistia em inicializar o sistema com o modo padrão de vídeo 1280 x 1024 pixels, 60 Hz. Essa frequência de vídeo é uma tortura. Então eu alterei pelo programa Screen Resolution para 1152 x 864 pixels a 75 Hz, mas sempre voltava sozinho para a resolução padrão. Não teve jeito, um pouco de leitura e pesquisa nos fóruns oficiais do Ubuntu, e aprendi a alterar o arquivo /etc/X11/xorg.conf “na munheca”.
Resumindo a história toda, estou há 3 semanas usando somente Linux. Só inicializei o computador uma vez no Windows, que ainda está instalado no primeiro HD (que heresia! he he), só para assistir um DVD que precisava ser devolvido logo em seguida na locadora. Não conformado (e sentindo um pouco de remorso, he he) instalei depois os codecs corretos no Ubuntu e agora assisto a qualquer DVD no Linux.
Nos próximos posts vou continuar relatando minhas experiências de novato no mundo Linux. Até mais.